14.10.11

Ainda Drummond...




A Profª Conceição Rosa, do Blog Povo do Riso, uma grande parceira do Grupo Blogs Educativos escreveu o seguinte comentário, no post aí abaixo: 
" No Livro de História "Brasil Vivo" há uma charge (pg 33)de igual teor (retirando o amor da Lili e o resto)que ilustra o capítulo 2 sobre a sociedade do período colonial brasileiro: "Pai durão, mulher medrosa e filhos assustados". Achei aquela ilustração interessante à época em que li o livro, que é fortemente marcado pelas charges e quadrinhos. Este encontro entre Poesia, animação e quadrinhos pode ser complementado com referências históricas! "


 Concordo com a Conceição: a poesia, como parte da literatura, sempre pode e deve ser complementada com referências históricas.Afinal, a literatura sempre reflete um momento histórico.

 Quadrilha foi publicada no livro Antologia Poética, nos anos 60.Aqueles anos fervilhantes,com tantas mudanças na sociedade, inclusive nos padrões familiares.
 A Quadrilha na literatura dos quadrinhos, publicada aí abaixo, também reflete as relações sociais presentes em nossa época: as relações de poder,a relação com os animais domésticos e os sem-teto, que são ignorados por esta mesma sociedade.Isto pode ser verificado no texto: Lili casou com J.Pinto Fernandes, que não tinha casa, não tinha objetivos, não tinha sonhos e Graças a Deus não tinha entrado na História.
Talvez se tivesse entrado na história teria o mesmo fim que os demais personagens,não é?


 Isto nos remete à concepção de literatura como retrato da sociedade. E é importante que o professor de português, ao trabalhar com literatura, sempre apresente a seus alunos o contexto de produção do autor: em que ano foi produzido o trabalho, que acontecimentos históricos marcaram aquela época, etc.E, isto, claro, deve  ser feito  a partir da compreensão que os alunos tiveram  do texto, considerando as inferências que foram produzidas, a partir da leitura.

 Portanto, para ser um bom professor de português, não basta saber gramática: é preciso conhecer história e, se possível, desenvolver  projetos interdisciplinares com os professores desta disciplina.

 É que um texto nunca existe no vazio, ele sempre tem uma razão.
Como dizia Drummond, um texto é 10% de inspiração e 90% de transpiração.Com certeza os 10% de inspiração são oriundos das observações feitas nas sociedades em que os autores vivem/viveram.

Há um interessante debate sobre Literatura e História,realizado nos anos 90, protagonizado por Roger Chartier(um dos maiores pesquisadores em leitura, da atualidade) e  o Prof. João Adolfo Hansen, especialista em literatura, cuja transcrição pode ser lida na Revista de História da UFRJ, neste link.

E aqui, há muito mais de Drummond.


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