18.6.08

sobre latim, linguagens, etc.

Uma discussão no grupo Blogs Educativos teve como foco: coisas que não são mais ensinadas na escola e foi feita uma referência ao Latim. Em resposta, eu disse alguma coisa parecida com:

“- Deus me livre de estudar língua morta. Tudo que estudei na faculdade fiz questão de deletar. Quando precisei pra estudar português histórico, aí foi outra coisa. Vi a utilidade e a necessidade de compreeensão.”

Em resposta o Fred, da Teia, me disse :
” Latim não está morto. Assim como os dinossauros, que evoluíram para aves, o latim evoluiu para vários idiomas, inclusive o nosso. ;-) Concordo que trabalhar o latim do jeito que se fazia, decorando declinações e tudo o mais devia ser o terror. Mas por que não trabalhá-lo de outro jeito? Por exemplo, na biologia o latim faz a
maior falta. Eu mesmo fiz uma disciplina de latim na minha época de faculdade pra tentar entender um pouco da nomenclatura biológica. E eu achei o máximo isso, pois me ajudou bastante a entender uma série de denominações e classificações. Mas reafirmo: latim descontextualizado de nada vale. Esse latim, realmente está morto.” (Ele me autorizou a usar a mensagem, ok?)



Eu concordo com o Fred, parcialmente. A língua que falamos não evoluiu do Latim, aquele clássico, chique, falado pelos nobres cidadãos romanos. O que originou as línguas românicas foi o latim que os povos vencidos foram obrigados a falar e que, consequentemente, misturaram à sua língua de origem.Nossa língua nasceu da oralidade.

Portanto,o português não é tão puro e tão chique como pensam os puristas, que acham que só existe a norma culta. (Já comentei sobre isto neste blog, quando escrevi sobre o internetês ( mais uma mudança) e preconceito lingüístico).

Eu não sou bióloga, mas como professora de português e linguista (sem trema, porque acho uma inutilidade e vai acabar mesmo!!!), tenho um dicionário de latim em casa. Acreditam?

Porque, às vezes, eu preciso descobrir de onde vem uma palavra, descobrir como ela foi formada. Mas isto é pra mim, para que eu possa explicar a meu aluno e não fazê-lo decorar latim com todas a suas declinações.Porque seria um absurdo fazer um aluno utilizar uma língua que não se fala. E porque são coisas que só interessam a um pesquisador da língua.E aí, concordo com o Fred: tudo que se ensina/aprende precisa ser contextualizado.

Continuamos no próximo post...



Update: Paula!!! cadê teu link prá comentários?
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